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Bardo da Ordem Druídica Vozes do Bosque Sagrado.

13 de fevereiro de 2006

Mentiras de pescador

Creio que, se um autor deve satisfação a alguém por suas idéias, deve-as justamente a seus leitores, pois a responsabilidade com quem gasta seu tempo para ler o que escrevemos é algo que jamais deve ser esquecido e, para mim, é sagrado.

Na sexta-feira eu bloguei sobre um filme "Big Fish" (Peixe Grande) e esse texto foi muito criticado por algumas das pessoas que o leram, pois falei que usamos de "mentiras" para florear os fatos ao contar nossas histórias. Algumas pessoas então vieram falar comigo sobre o perigo do uso dessa palavra.

A história do filme baseia-se na busca de um filho por descobrir a verdadeira história de vida de seu pai, que insiste em contá-la com esses floreios e exageros fantásticos, algumas vezes mesmo absurdos, claramente dando o tom de estórias de um pescador imerso em seu mundo de sonhos.

Logo no início do filme o pai conta uma história ligada ao nascimento de seu filho e de uma aventura com um enorme peixe que viveria no rio perto de sua casa. A reação do filho em acusar o pai de mentiroso logo demonstra tônica da tensão que há entre ambos. Um deseja prosseguir nas suas "mentiras", como chama o filho, e simplesmente ver o mundo com outros olhos, abordando a própria vida de uma forma mais imaginativa em nome da própria felicidade enquanto o outro insiste na busca pelos fatos do passado, sem perceber que por trás das ditas "mentiras" existe todo um mundo que o convida a mergulhar justamente no que mais busca: a verdade e os fatos que a compõem.

Quando usei a palavra mentira naquele texto, usei-a propositalmente para instigar em quem tenha a veia do Bardo uma indignação necessária a quem pesquisa os mitos e lendas pagãos, pois é essa indignação que nos leva a pesquisar a verdade por detrás do mito distorcido através dos séculos, em busca da história que esconde-se de nós justamente mostrando a face bem diante de nós.

Assim como o filho acusou o pai de ser mentiroso, assim me vejo acusando os monges copistas que adulteraram mitos sagrados em prol de seus desígneos sem perceber, por algum tempo, que essa foi uma forma dos Deuses que creio sobreviverem até os dias de hoje, onde posso estudar e me empenhar o suficiente para transcender a mentira (nesse caso sem aspas) inserida nos mitos afim de buscar a história real.

Por outro lado, vejo no espelho aquele é chamado de charlatão, mentiroso ou simplesmente iludido por quem não entende os floreios em minhas palavras e, vestindo-me do manto grená de Bardo, assumo o papel de contador de histórias, mas não preciso aceitar a alcunha que me dão. Toda que que conto uma história quem não tem o que aproveitar dela ouvirá uma mentira, uma invenção. Mas quem puder absorver o que tenho a dizer ouvirá as palavras que precisa através da minha performance e da minha imaginação.

E, no fim, o que para a maioria é mentira, para outros é imaginação, e para alguns, Inspiração. E só através dela que as histórias se mantém vivas e eternas.

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3 Comentários:

Anonymous abraham disse...

rs... onde ha luz, ha escuridao..
nao vi o filme, mas entendi oque quis dizer com teu texto.. rs..
achei interessante, e concordo, porem unica coisa que tenho a dizer, e que a interpretacao que uns tem e diferente do que outros tem qd se le algo. assim e tambem como ver a vida, e porque nao "mentiras".... oras.. so isso...
nao sou pagao e posso entender isso bem.

falow bardo..

14 fevereiro, 2006 14:24  
Anonymous Circe CenCy disse...

Olas Malhado!

Ora, ora meu caro...
Chateou foi?
Chateia não, uma boa discussão nos leva sempre a uma melhor reflexão. Voce deixou claro no seu texto o que queria expressar, e, sinceramente, não vi necessidade de maior explicação.

Mas já que deu maior elucidação sobre o tema, vamu de tacape de novo. Mas não em voce, relaxa...

Sabe, eu acho que pior que as "mentiras" (usando no mesmo sentido que voce), confusões textuais, ou fontes não confiáveis, é a propria falta de vontade da maioria em obter respostas.

Pessoas que pesquisam com idéias pré concebidas, e que não têm interesse em esclarecer as verdades contidas nos textos.
Preferem as verdades que acreditam, e tentam encaixar no textos argumentos para a manutenção de suas verdades pessoais.

É o que acontece nos livros de história, na bíblia, nos textos pagãos escritos por cristãos...

Enfim, é a arte de inquirir sem preconceitos que faz os buscadores perceberem as informaçoes realmente válidas em qualquer texto, da antiguidade ou atual.

Ter os olhos, os lábios e os ouvidos de um bardo, pode ser bacana, mas o segredo esta em ter a mente de um bardo. É por ela que as Musas da Inspiração entram...

Gostaria que mais pessoas tivessem a clareza de pensamento necessária a um buscador, como voce tem... talvez, nosso mundo fosse um pouco mais simples e fácil de viver e de compreender.

bju grande


3c

14 fevereiro, 2006 16:18  
Anonymous Endovelicon disse...

Bem, já se disse sobre os Irlandeses que eles são "criativos" ao abordar a Verdade...
;-)))))

23 fevereiro, 2006 00:47  

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