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Bardo da Ordem Druídica Vozes do Bosque Sagrado.

16 de janeiro de 2007

O Mito e o Preconceito

"Myth is what we call other people's religion"

"Mito é como chamamos religião dos outros"

Joseph Campbell



A relação que precisamos manter com "o resto do mundo" é muito delicada e deve ser material de profunda reflexão para um pagão.

Olham-nos como figuras alegóricas e caricatas de uma realidade que, se existiu, foi-se há muito para sob o véu dos contos-de-fada, e falam que nossos Deuses são mitos esquecidos de uma religião que não mais existe. Riem-se de nós como se estivéssemos em nossas celebrações realizando algum tipo de espetáculo teatral, e nossas famílias nos ridicularizam a cada pequena oportunidade que têm, tornando as reuniões com aqueles que compartilham de nossa linhagem de sangue um estorvo ou um sofrimento.

Respeito é para quem segue o fluxo da maioria, e parecemos caminhar na contramão da sociedade enquanto na verdade estamos apenas expressando nossa fé – isso quando juntamos coragem o suficiente para fazê-lo, claro – e procurando seguir nossas vidas e cuidar de nossas famílias. Mas nossa cultura e nossos símbolos ofendem a muitos, e não raro somos perseguidos de uma forma velada e cruel que nos congela os corações, dilacera a alma e reflete-se na revolta de nossas ações, mas seguimos a jornada em busca de nós mesmos e da espiritualidade que abraçamos como podemos, endurecidos mas ainda de pé.

Então chegam os momentos em que caímos, levantamos, curamos nossas feridas, reconhecemos as novas cicatrizes e aprendemos mais um pouco sobre nós mesmos e a mecânica da vida. E ainda seguimos, apesar de todo o preconceito.

Depois de alguns anos e tantas lutas, percebemos que o preconceito contra o qual antes lutávamos tornou-se por fim nossa bandeira, nossa armadura, nossa carapaça, nossa carapuça e por fim nossa âncora. Atacamos tudo o que está na contramão do nosso jeito de compreender o mundo, e erguemos nossa bandeira não como símbolo de uma luta, mas como símbolo de opressão e controle.

E é então que temos a chance de parar, respirar, curar nossa revolta, reaprender lições esquecidas ao prestar atenção em nossas cicatrizes, renascer e voltarmos a trilhar o caminho pagão com a alma aberta.

Cuidados com os seus passos e suas atitudes, pois é da sombra da árvore que você se tornar que dependeram os que vierem depois.


Observe um futuro possível ou mesmo o retrato do seu presente falando com a parte de você que começou a jornada e aprenda com suas cicatrizes ao som de "Savin' Me", cantada pelo Nickelback. Acompanhe a letra e a tradução pelo próprio link e preste bem atenção no vídeo clipe
desta canção, pois o tempo de renascer e o de morrer coincidem num mesmo instante, diferem na atitude e não sabemos quando ele chegará.

Frase original extraída do site DeDannan e traduzida por Alexandre Malhado.

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2 Comentários:

Blogger Tami Fada disse...

Passando por este grande obstáculo que seria o "resto do mundo", o pagão se fortalece, cada vez que passa por entre "os outros" e não se corroe e não se destrói (sua própria fé).

Seria uma prova.. que logicamente, não seria necessário existir, mas existe por causa dos desrespeitos do mundo, da humanidade.

Gostei do texto Malhado!

Beijo!!!

by Tami**

16 janeiro, 2007 21:31  
Blogger Ana "Quindim Girl" Rodrigues disse...

Engraçado que por esses dias, provavelmente próximo a data do post, tive uma discussão numa comunidade de escritores de Fantasia que tinha justamente essa problemática. Enquanto tratavamos os Veda, o Mabinogion e outros como mitologia tudo bem... mas vou só dizer que o Antigo Testamento é mitologia para logo se erguer uma voz querendo nos trazer a razão, apontando que a bíblia é um 'relato histórico'... Infelizmente, isso ainda é um triste corolário extensamente usado.

01 fevereiro, 2007 00:33  

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