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Bardo da Ordem Druídica Vozes do Bosque Sagrado.

2 de janeiro de 2007

A Receita da Cerveja de Urze

Os pictos perderam a batalha e seus inimigos escoceses agora buscavam seu prêmio. Pai e filho estavam agora à sua mercê. As gaivotas miavam enquanto a noite começava a cair.

- Eu lhe digo o que quer saber - disse o velho, enfim - mas apenas se você matar meu filho primeiro, para que ele não testemunhe o pai trazer desonra e vergonha para o nosso povo.

Os exaustos escoceses ergueram então um grito de vitória, e assim o jovem sucumbiu ao fio da espada. Então disseram:

- Agora, velho, diga-nos a receita.

- Ha! - Disse o pai - vocês realmente acharam que eu diria a um escocês o segredo da cerveja de urze ? Meu filho estava prestes a divulgar a receita, pois ainda tinha muitos anos a viver e não desistiria facilmente de seu mundo de aves marinhas, altos penhascos e dos sons do mar espumante. Portanto ele tinha que morrer; e o segredo da cerveja de urze morre com ele, pois vocês nunca o terão de mim!

O líder escocês estava furioso.

- Levem-no - ele gritou - e atirem-no do mais alto penhasco. Deixem-no despedaçar-se nas rochas afiadas abaixo, e que o mar chore sua morte pela eternidade com suas lágrimas salgadas.

E desta forma o velho morreu, e agora partilha o segredo da cerveja de urze com o mar.


Tradução e adaptação de Alexandre Malhado.


Este é um texto que eu gosto muito, e organizando os textos indicados eu notei que faltam elementos de mitologia celta aqui no blog, falha que aos poucos corrigirei, a partir do momento em que eu tenha Internet em casa.

Relendo este mito pensei no mundo em que vivemos e em como as pessoas estão dispostas a morrer defendendo suas crenças e ideologias, mas raramente estão dispostas a viver pelos preceitos que defendem. Parece ser mais cômodo morrer como um mártir do que viver servindo de exemplo, e a morte é um instante que perdura na memória de todos, enquanto as lições que deixamos perdem-se facilmente no sussurro da brisa que leva nossas cinzas para o Outro Mundo.

Lembrei que morre-se por tão pouco nesse mundo que esquecemos daqueles que morrem por seus ideais. Mas antes de dispor-se tão prontamente a morrer pelo que defende, aprenda antes a viver por eles enquanto escuta "Civil War", um hino de paz cantado pelo Guns 'n Roses, e quem sabe você se torne mais um que ensine alguém a viver pelo que acredite ao invés de matar em nome de suas convicções.
Acompanhe a letra pelo próprio link ou assista a um vídeo com esta canção.


Texto extraído da versão em inglês do livro "Introdução à Mitologia Céltica", de David Bellingham.
Idioma: português lusitano. Estampa. ISBN: 9723315122;
Idioma: inglês. Shooting Star Press. ISBN: 1573353132.

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