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Bardo da Ordem Druídica Vozes do Bosque Sagrado.

14 de março de 2007

Nosso Futuro

Carta escrita em 2070 e.c.

Ano 2070. Acabo de completar 50 anos, mas a minha aparência é de alguém com 85. Tenho sérios problemas renais porque bebo muito pouca água. Creio que me resta pouco tempo. Hoje sou uma das pessoas mais idosas nesta sociedade.
Recordo quando tinha cinco anos. Tudo era muito diferente. Havia muitas árvores nos parques, as casas tinham bonitos jardins e eu podia desfrutar de um banho de chuveiro.. .
Agora usamos toalhas de azeite mineral para limpar a pele.
Antes, todas as mulheres mostravam as suas formosas cabeleiras. Agora, devemos rapar a cabeça para a manter limpa sem água.
Antes, o meu pai lavava o carro com a água que saía de uma mangueira. Hoje, os meninos não acreditam que a água se utilizava dessa forma. Recordo que havia muitos anúncios que diziam CUIDA DA ÁGUA, só que ninguém lhes ligava - pensávamos que a água jamais podia acabar. Agora, todos os rios, barragens, lagoas e mantos aqüíferos estão Irreversivelmente contaminados ou esgotados. Antes, a quantidade de água indicada como ideal para beber eram oito copos por dia por pessoa adulta. Hoje só posso beber meio copo. A roupa é descartável, o que aumenta grandemente a quantidade de lixo e tivemos que voltar a usar os poços sépticos (fossas) como no século passado já que as redes de esgotos não se usam por falta de água.
A aparência da população é horrorosa; corpos desfalecidos, enrugados pela desidratação, cheios de chagas na pele provocadas pelos raios ultravioletas que já não tem a capa de ozônio que os filtrava na atmosfera. Imensos desertos constituem a paisagem que nos rodeia por todos os lados.
A industria está paralisadas e o desemprego é dramático. As fábricas dessalinizadoras são a principal fonte de emprego e pagam-nos em agua potável os salários.
Os assaltos por um bidão de água são comuns nas ruas desertas. A comida é 80% sintética. Pela ressequidade da pele, uma jovem de 20 anos está como se tivesse 40.
Os cientistas investigam, mas não parece haver solução possível. Não se pode fabricar água, o oxigênio também está degradado por falta de árvores e isso ajuda a diminuir o coeficiente intelectual das novas gerações.
Alterou-se também a morfologia dos espermatozóides de muitos indivíduos e como conseqüência há muitos meninos com insuficiências, mutações e deformações.
O governo cobra-nos pelo ar que respiramos (137 m3 por dia por habitante adulto). As pessoas que não podem pagar são retiradas das "zonas ventiladas". Estas estão dotadas de gigantescos pulmões mecânicos que funcionam a energia solar. Embora não sendo de boa qualidade, pode-se respirar. A idade média é de 35 anos.
Em alguns países existem manchas de vegetação normalmente perto de um rio, que é fortemente vigiado pelo exercito. A água tornou-se num tesouro muito cobiçado - mais do que o ouro ou os diamantes. Aqui não há arvores, porque quase nunca chove e quando se registra precipitação, é chuva ácida. As estações do ano tem sido severamente alteradas pelos testes atômicos.
Advertiam-nos que devíamos cuidar do meio ambiente e ninguém fez caso. Quando a minha filha me pede que lhe fale de quando era jovem descrevo o bonito que eram os bosques, lhe falo da chuva, das flores, do agradável que era tomar banho e poder pescar nos rios e barragens, beber toda a água que quisesse, o saudável que era a gente, ela pergunta-me: Papá! Porque se acabou a água? Então, sinto um nó na garganta; não deixo de me sentir culpado, porque pertenço à geração que foi destruindo o meio ambiente ou simplesmente não levamos em conta tantos avisos. Agora os nossos filhos pagam um preço alto e sinceramente creio que a vida na terra já não será possível dentro de muito pouco tempo porque a destruição do meio ambiente chegou a um ponto irreversível.
Como gostaria voltar atrás e fazer com que toda a humanidade compreendesse isto, quando ainda podíamos fazer algo para salvar ao nosso planeta terra!

Documento extraído da revista biográfica "Crónicas de los Tiempos" de abril de 2002.


Acho interessante essas visões apocalípticas do futuro e como elas influenciam tanto os céticos quanto os que nelas acreditam.

Por um lado, os céticos riem-se do absurdo que são tais textos e arrotam sua arrogância, escarnecendo ambientalistas e grupos que tomam esses textos como parâmetro de seus protestos contra a destruição do planeta. Por outro, pessoas com genuína preocupação tentam achar meios de ao menos diminuir a devastação criada por todos nós. Às vezes elas exacerbam, às vezes se perdem do propósito dos protestos que propõem e causam tanto dano quanto os que apenas destroem, mas todas querem salvar o futuro de todos nós, embora nem sempre concordemos com o método que utilizem para tentar fazê-lo.

Uma coisa é certa: esses textos, que espero nunca aconteçam, estão cada dia mais próximos de virar realidade. O aquecimento global que era balela está aí, implacável e irreversível a curto prazo mesmo na melhor das projeções, mas ainda figura apenas como plataforma política de quem vê na promessa de uma solução um jeito de concorrer na próxima eleição, e só.

O clima continua cada vez mais quente, os pólos cada vez menos gelados e os oceanos alimentam-se das praias, enquanto desastres naturais vistos por muitos como uma vingança da natureza assolam os quatro cantos do planeta.

A natureza não se vinga, apenas corrige o que pode removendo a causa dos problemas, e a causa desta somos nós.


Ache um meio de ajudar a curar o ambiente à sua volta ou pense em como fazer a sua parte. Só não fique aí no conforto dessa falsa certeza de uma bonança que não mais existe enquanto escuta "A Cavalgada das Valquírias" de Wagner, interpretada pela Orquestra Filarmônica de Londres, e observa o mundo despedaçar-se ante à sua indolência.

Com agradecimentos a Marcio Mendes Paes pelo texto.

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