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Local: Brasília, DF, Brazil

Bardo da Ordem Druídica Vozes do Bosque Sagrado.

7 de março de 2007

O Pensamento Científico e o Sentimento Religioso

Tem se tornado um incômodo hábito o de alguns cientistas atacarem pessoalmente quem seja pagão ou neopagão como se a religiosidade devesse à ciência qualquer explicação de suas atividades, premissas ou propósitos. Não deve e não faz farte do escopo da ciência – e muito menos dessa pseudo-ciência que chega a uma conclusão antes de dar à hipótese o crivo do método científico – opinar sobre como a religiosidade deva ser vivenciada, assim como não cabe a um religioso opinar sobre os assuntos da ciência.

Em geral, essa "separação de mundos" onde cada parte cuida de si é óbvia, mas sempre houve em outras áreas e nos últimos anos, com o avanço das correntes pagãs e neopagãs em meio à sociedade, também apareceram alguns "salvadores da pátria" dispostos a tomar em nome de sua "ciência" o posto de defensores da verdade, mas não de nossa fé ou da validade de nossas afirmações históricas, e sim da competência e idoneidade de sacerdotes e religiosos. Agem como se qualquer diploma os fizesse aptos a falar de nossa experiência mística com nossos Deuses, os quais somente podem ser acessados através da vivência de um sentimento religioso verdadeiros, e não através de um preconceito escamoteado sob o manto da ciência.

Claro, como sacerdote de uma vertente histórico-reconstrucionista do Druidismo, preocupo-me profundamente em atualizar-me de acordo com os achados históricos e arqueológicos a fim de trazer a experiência divina para os dias atuais, de acordo com a liturgia dos celtas mas sem esquecer que o solo que me sustenta não é celta e que o Druidismo hoje precisa ser vivenciado de acordo com a realidade em que vivemos, sem perder essa liturgia mas tampouco sem tornar-se uma pantomima vazia imitando um povo que já se foi há quase dois milênios.

Mas não devemos nos ressentir dos trabalhos científicos, pois a verdadeira ciência tem método e não responde a quem diz falar em seu nome. E não podemos esquecer que esse tipo de um trabalho não pode dar-se ao luxo de ignorar o método, pois é escrito para que outros cientistas o possam ler e, principalmente, criticar. Assim, devemos cada vez mais buscar conhecer o passado de nossa fé através do trabalho de cientistas realmente sérios, para então forjarmos um futuro cada vez mais fidedigno e sólido para o Druidismo.

Quanto aos "cientistas" que insistem em atacar nossa religiosidade, não cabe a eles interpretar os sinais que recebemos das divindades com quem conversamos, mas apenas nós. Outros religiosos dentro da nossa própria religião podem nos criticar pois os Deuses aos quais servimos são os mesmos, e ninguém mais.

Falta-nos tanto firmeza para defender nossos Deuses quanto humildade para conhecê-los. Quando me questionam quem sou eu para falar de Druidismo apresento-me como Bardo, sacerdote e co-fundador da Ordem Druídica Vozes do Bosque Sagrado, mas ao invés de apegar-me a um título imponente tenho plena consciência de que esta é apenas a descrição de uma responsabilidade que tenho não para com os antigos celtas, mas para com meus Deuses, que são também Deuses daqueles povos.

Sei também que o solo que me sustenta e nutre é vermelho, é cerrado, é quase desértico e ainda assim chovem rios inteiros sobre ele. Sei que vivo na Terra do Verão Eterno e que meu céu, assim como a bandeira de minha pátria, é adornado pelo o Cruzeiro do Sul e as histórias, mitos e lendas dos povos que aqui habitaram me são tão sagrados quanto o são as dos antepassados e Deuses que chegaram até este chão, e que não tenho que modificar minha fé baseado no ranço de "cientistas" engessados, pois não sou celta, sou brasileiro, sou druidista e sou Bardo.

Por fim, olhando este panorama, sou cada vez mais contra a interação de minha fé com os cientistas que nos menosprezam, e creio que devemos nos ater no máximo a ler seus escritos acadêmicos para deles extrair algo de útil, pois para seus pares eles em geral fazem ciência e não devemos misturar em nossos corações o fato e nome de quem pretenda tentar usá-lo para atacar o que não seja de seu escopo em busca de palco ou reconhecimento pessoal.

Precisamos compreender o quanto ainda temos de fazer pelo nosso povo. Estudemos e estejamos sim abertos a qualquer cientista sério e desejoso por trocar idéias conosco, mas tenhamos sempre em mente que o umbigo alheio não tem nada haver com nossa fé ou nossos Deuses.


Entenda você também do que precisamos ao som de "Respect", na voz e no swing inigualáveis de Aretha Franklin. Acompanhe a letra pelo próprio link e não deixe de assistir também ao vídeo clipe.

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1 Comentários:

Anonymous Hanna disse...

Lindinho... adorei o seu texto... tou passando ele para frente (com os devidos créditos, claro.)

08 março, 2007 11:24  

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