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Bardo da Ordem Druídica Vozes do Bosque Sagrado.

26 de janeiro de 2007

O Pote Rachado

    Um carregador de água na Índia levava dois potes grandes, ambos pendurados em cada ponta de uma vara a qual ele carregava atravessada em seu pescoço.
    Um dos potes tinha uma rachadura, enquanto o outro era perfeito e sempre chegava cheio de água no fim da longa jornada entre o poço e a casa do chefe; o pote rachado chegava apenas pela metade.
    Foi assim por dois anos, diariamente, o carregador entregando um pote e meio de água na casa de seu chefe.
    Claro, o pote perfeito estava orgulhoso de suas realizações. Porém, o pote rachado estava envergonhado de sua imperfeição, e sentindo-se miserável por ser capaz de realizar apenas a metade do que ele havia sido designado a fazer.
    Após perceber que por dois anos havia sido uma falha amarga, o pote falou para o homem um dia à beira do poço:
—   Estou envergonhado, e quero pedir-lhe desculpas.
—   Por quê? – perguntou o homem. – De que você está envergonhado?
—   Nesses dois anos eu fui capaz de entregar apenas a metade da minha carga, porque essa rachadura no meu lado faz com que a água vaze por todo o caminho da casa de seu senhor. Por causa do meu defeito, você tem que fazer todo esse trabalho, e não ganha o salário completo dos seus esforços. – disse o pote.
—   O homem ficou triste pela situação do velho pote, e com compaixão falou:
—   Quando retornarmos para a casa de meu senhor, quero que percebas as flores ao longo do caminho.
—   De fato, à medida que eles subiam a montanha, o velho pote rachado notou o flores selvagens ao lado do caminho, e isto lhe deu certo ânimo. Mas ao fim da estrada, o pote ainda se sentia mal porque tinha vazado a metade, e de novo pediu desculpas ao homem por sua falha.
—   Disse o homem ao pote:
—   Você notou que pelo caminho só havia flores no seu lado. Eu ao conhecer o seu defeito, tirei vantagem dele. E lancei sementes de flores no seu lado do caminho, e cada dia enquanto voltávamos do poço, você as regava. Por dois anos eu pude colher estas lindas flores para ornamentar a mesa de meu senhor. Sem você ser de jeito que você é, ele não poderia ter esta beleza para dar graça à sua casa.
—   Cada um de nós temos nossos próprios e únicos defeitos. Se os reconhecermos, podemos usá-los ao nosso favor e das nossas fraquezas, podemos tirar forças e impulso para o nosso próprio desenvolvimento.


Para quem está aberto, toda cultura tem algo a ensinar. Então preste bastante atenção nas histórias, mitos e parábolas que escute, pois nelas encontramos verdades que a mente não nos pode fazer vislumbrar sozinha.

Semeie suas flores ao som de "Palavras De Um Futuro Bom", cantada pelo Jota Quest. Acompanhe a letra pelo próprio link e não esqueça de deliciar-se com o vídeo clipe desta canção.

Com agradecimentos a Daniella Sette pelo texto.

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4 Comentários:

Anonymous Roberta de Felippe disse...

Parei para pensar, mesmo.
=)

27 janeiro, 2007 04:02  
Blogger Su disse...

Pode deixar!
Muito obrigada por mais uma lição.
Beijos

27 janeiro, 2007 18:42  
Anonymous filhote de lua disse...

Nossa, fazia tempo que não lia essa história. Amo essa. Acho que é uma daquelas coisas totalmente perfeitas que o mundo dá de presente pela voz/ escrita de alguém.

29 janeiro, 2007 17:37  
Blogger Tatiana Mamede disse...

O caminho anda enfeitiçando um certo Bardo...


:*

29 janeiro, 2007 19:16  

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