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Bardo da Ordem Druídica Vozes do Bosque Sagrado.

1 de fevereiro de 2007

O Martelo do Preconceito

Existem pessoas que usam quaisquer meios para deslegitimar ou mesmo destruir qualquer traço da nossa visão do que seja Sagrado, mas isso é não só esperado como até mesmo o normal, principalmente neste período de transição de uma sociedade quase exclusivamente monoteísta para uma sociedade pluralista, agora em busca de sua maturidade e cada vez mais aberta a conviver com as tantas possibilidades que hoje presenciamos.

O advento do diálogo é uma certeza postergável, mas irrefutável. E saber que nossos Deuses voltaram a figurar de forma positiva e com tanta força nas reflexões da humanidade é muito gratificante quando se é um sacerdote Deles, principalmente quando a palavra de ordem da minha religião com relação às crenças alheias é convivência.

Há poucos anos a luta empreendida por quem queria conhecer ou seguir uma crença pagã era um exercício inglório e infrutífero, mas já começamos a presenciar a chegada de um tempo no qual as pessoas que buscam aviltar nossos Deuses perderam muito de sua influência em nosso meio (e sim elas o tinham) e, à exceção dos criminosos, já não vêm mais ao caso para quem deseje vivenciar sua fé. Os "inimigos" estão fadados à teia do esquecimento ou ao isolamento que criam em torno de si e de seus seguidores, e cada vez menos nos preocupamos em escutar as sandices que inventam e disseminam a nosso respeito.

Entretanto, qualquer muda sem água fenece e morre, e é justamente o comodismo o pior inimigo de quem busca consolidar seus direitos. Quando os meios de comunicação mostram nossas crenças de forma distorcida, responsabilizando nossa crença e nossas práticas por crimes que nada têm haver conosco, não hesitamos em encher nossas comunidades de palavras repletas de revolta e indignação, mas quando alguém nos pergunta o que nós adoremos e em quem acreditamos, raramente estendemos a mão do entendimento e damos a quem nos procura base suficiente para começar uma busca por respostas de qualidade às perguntas que nos fazem.

Como o Paganismo refloresce em meio à juventude, os hormônios desta época impregnam o discurso e a prática religiosa, mas a voz dos que se dizem e dos que realmente são "anciãos" em suas correntes religiosas, a voz daqueles que deveriam falar, ou calam para quem busca entendimento, ou eclodem em manipulação para fins outros que não os dos Deuses, ou mesmo silenciam por completo, sufocadas no próprio egoísmo. Então o martelo do preconceito cai sobre a cabeça dura de todos nós.

Cai nas cabeças duras dos que acham que religião é brincadeira de "rei da ilha" onde quem lidera é o mais "poderoso", cai nas cabeças ocas de quem procura em gurus de plástico respostas para as quais o Paganismo serve de caminho através do qual as encontramos, e não um conjunto de dogmas, e cai na cabeça de quem busca verdadeiramente nossos Deuses, poucos demais para fazer frente à poderosa turba que nos atropela.

Vivemos um tempo bem mais pacífico que há poucos anos, mas talvez enfrentemos o pior obstáculo de todos em breve: um marasmo quando nos ferem os direitos e uma egolatria cega que nos desvia do culto aos Deuses e coloca a nós mesmos e a quem nos siga como servos das nossas próprias idéias de grandeza.

E no fim o problema não é o martelo nem a mão que o empunha, mas o oferecimento subserviente de nossas cabeças ao golpe que une nossas mentes, corações e almas no grito de agonia e terror, ao percebermos aos cacos o fruto de nossa divisão.


Neste dia em que Lugh se faz mais presente do que nunca em nossas vidas, pense a esse respeito escutando "Mad World", cantada pelo Tears for Fears. Acompanhe a letra pelo próprio link e a tradução clicando aqui. Assista também ao vídeo clipe.


Feliz Lughnasadh! Que suas mão saibam plantar o bom trigo para que o pão fresco de seus dias tenha sabor suave e fortaleça seu espírito!

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2 Comentários:

Blogger Hannelore disse...

Lindo texto Malhado...

Realmente, os valores que tanto prezamos caem por terra na ilusão que seres superiores um dia descerão na terra para nos resgatar.

05 fevereiro, 2007 13:12  
Blogger Tatiana Mamede disse...

Malhado,

O seu texto foi uma porrada na minha cabeça. Não sei sequer o que dizer. Ainda...

05 fevereiro, 2007 19:47  

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