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Local: Brasília, DF, Brazil

Bardo da Ordem Druídica Vozes do Bosque Sagrado.

18 de julho de 2007

Falhas

Uma das coisas que fascina na cidade de San Francisco é ela estar localizada sobre a falha de San Andreas, que é um desnível no terreno da região que provoca pequenos abalos sísmicos de vez em quando e grandes terremotos de tempos em tempos.

Você está mui faceiro caminhando pela cidade, apreciando a arquitetura vitoriana, a baía, a Golden Gate, e de uma hora para outra pode perder o chão, ver tudo sair do lugar, ficar tontinho, tontinho.

É pouco provável que vá acontecer justo quando você estiver lá, mas existe a possibilidade, e isso amedronta mas ao mesmo tempo excita, vai dizer que não?

Assim são também as pessoas interessantes: têm falhas.

Pessoas perfeitas são como Viena, uma cidade linda, limpa, sem fraturas geológicas, onde tudo funciona e você quase morre de tédio!!!

Pessoas, como cidades, não precisam ser excessivamente bonitas.
É fundamental que tenham sinais de expressão no rosto, um nariz com personalidade, um vinco na testa que as caracterize.

Pessoas, como cidades, precisam ser limpas mas não a ponto de não possuírem máculas.

É preciso suar na hora do cansaço, é preciso ter um cheiro próprio, uma camiseta velha pra dormir, um jeans quase transparente de tanto que foi usado, um batom que escapou dos lábios depois de um beijo, um rímel que borrou um pouquinho quando você chorou.

Pessoas, como cidades, têm que funcionar, mas não podem ser previsíveis.

De vez em quando, sem abusar muito da licença, devem ser insensatas, ligeiramente passionais, demonstrarem um certo desatino, ir contra alguns prognósticos, cometer erros de julgamento e pedir desculpas depois, pedir desculpas sempre, pra poder ter crédito e errar outra vez.

Pessoas, como cidades, devem dar vontade de visitar, devem satisfazer nossa necessidade de viver momentos sublimes, devem ser calorosas, ser generosas e abrir suas portas, devem nos fazer querer voltar, porém não devem nos deixar 100% seguros, nunca.

Uma pequena dose de apreensão e cuidado devem provocar e nunca devem deixar os outros esquecerem que pessoas, assim como cidades, têm rachaduras internas, portanto podem surpreender!

Falhas.
Agradeça as suas, porque é o que humaniza você.

Autor Desconhecido


Esse é um tema que tem passado na minha mente nos últimos dias, e a reflexão não poderia ter terminado de forma mais interessante!

Então, conheça-se e saiba das delícias e dos perigos de si ao som de "7 Seconds", cantada em três idiomas por Youssou N'Dour e Neneh Cherry. Acompanhe a letra e a tradução desta canção e aproveite para pensar no quanto as particularides que parecem tão simples podem agigantar-se em problemas seculares, como é o exemplo do preconceito racial do qual a canção trata enquanto assiste ao vídeo clipe.

Com agradecimentos a Daniela Sette pelo texto e pela Inspiração.

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3 Comentários:

Anonymous Edson Marques disse...

Malhado,


vou peghar um "gancho", ainda que um pouco instável:


Pessoas, assim como as cidades, precisam ser múltiplas. E passageiras. Morar numa só, pelo resto da vida, seria um horror...


(Sou levado a comparar a situação com o casamento tradicional... rs!)


Ironicamente.





Abraços, flores, estrelas...

18 julho, 2007 14:32  
Blogger Melian Stern disse...

Não sei se conhece mas tem uma música que se San Andreas e fala da falha geologica de maneira análoga com as nossas vidas!!!

Bjosss e matutando o texto ainda.

18 julho, 2007 21:09  
Blogger Tatiana Mamede disse...

Essas cidades e seus efeitos em seus visitantes, habitantes e ilusionistas....

25 julho, 2007 04:06  

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