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Bardo da Ordem Druídica Vozes do Bosque Sagrado.

21 de setembro de 2006

Conhecer e Percorrer o Caminho

"há uma diferença entre conhecer
o caminho e percorrer o caminho"

Morpheus, no filme Matrix
Ok, isso é a mais pura verdade, mas como tenho visto muito essa frase no meio pagão nos últimos anos, cabe falar a seu respeito um pouco àqueles que tanto a citam e, principalmente, àqueles que a escutam.

Primeiro é preciso definir o que seja o caminho, afinal todo caminho serve para alguma coisa. Então não adianta simplesmente buscarmos um caminho que nos seja "válido", pois se assim o fosse seria bastante apropriado para um torturador perseguir e infligir dor à sua vítima. Então, saindo do simplismo, comecemos definindo que tipo de caminho você deseja seguir e o que te Inspira o suficiente para te fazer caminhar num rumo mais específico.

Em segundo lugar, definido se não um caminho, pelo menos uma direção, é preciso pensar no por que seguir naquele rumo. Não falo de respostas frívolas como “porque é legal” ou “porque minha turma está nessa também”. Falo de um motivo verdadeiro, um porquê que te impulsione, independentemente de quem caminhe ao seu lado ou de quem você espera encontrar ao final da jornada ou de quem esteja fugindo no início dela. Mantenha em mente que o caminhante é você e são os seus passos que serão deixados gravados no seu caminho, os de mais ninguém.

Em terceiro lugar, o senso crítico. Nenhuma pessoa tem o mesmo caminho que a outra, mesmo que sigam juntas a mesma religião sob o mesmo sacerdote ou que trabalhem exatamente na mesma linha de montagem da mesma fábrica, fazendo o mesmo serviço dia após dia. O que difere uma pessoa da outra é a experiência que cada uma obtém a partir do ambiente que a cerca, de suas reações a ele e das respostas que percebe, e tal experiência é fruto de uma reflexão sincera, e não de fórmulas ou receitas de qualquer caminho que nos apresentem pronto. Sem tal auto-análise não há como seguir sequer uma direção, e nos tornamos qual folhas secas ao sabor do vento outonal.

Por último, o que nos faz trilhar: comprometimento. Não com o caminho, pois ele pouco importa quando consideramos nosso verdadeiro foco e motivo pelo qual ele exista: o caminhante, nós mesmos. Inclusive saber respeitar o próprio ritmo, saber fazer suas pausas, mas sem jamais esquecer de erguer-se após o descanso e seguir viagem.

É através desse senso de que nossos passos dependem apenas de nós mesmos que a distinção entre conhecer e seguir o caminho se faz visível, pois sem tal compromisso com os passos acima, não haverá senda, e sim um perambular ora em passos próprios, ora sobre pegadas alheias; e isso não significa trilhar, apenas conformar-se a aceitar e repetir padrões de comportamento que funcionaram – se é que funcionaram – para outrem.

Desviando-se dessa forma, seja por preguiça ou por medo, você cairá na ilusão de não mais ser responsável pela marca do peso de seu próprio corpo sobre o solo abaixo de seus pés, e seguirá a turba que marcha mecanicamente por onde lhe mandam ir. Mas a impressão das suas experiências estará lá, carvada em sua alma fóssil, e essa visão incômoda permanecerá em seu coração até que a poeira do tempo a cubra e a voz que grita dentro do seu coração seja sufoque e não mais a possa perceber. Então não mais lhe será possível enxergar o caminho que um dia conheceu, e não o poderá mais vivenciar. Não porque o caminho se perdeu, mas porque o caminhante não está mais lá.


Firme seu passo e caminhe ao som de "Admirável Gado Novo", cantada por Zé Ramalho.
Acompanhe a letra desta canção pelo próprio link. E assista ao vídeo do cantor interpretando essa canção em dueto com Leandro Lopes.

Com agradecimentos a Nil Tojal pelo vídeo.

1 Comentários:

Blogger Tatiana Mamede disse...

Desejar um caminho, ânsia-lo, defini-lo, cair por ele e levantar dele, e se for o caso, ser corajoso para mudar, mais um vez, o caminho.

29 setembro, 2006 08:46  

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