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Bardo da Ordem Druídica Vozes do Bosque Sagrado.

16 de outubro de 2006

A Importância da Diversidade

Nos últimos tempos, observando as diferenças entre mim e as pessoas com quem converso, tenho refletido bastante acerca do conceito de diversidade e seu impacto sobre o caminho – seja ele pessoal, social, espiritual ou intelectual – de cada uma das pessoas que cruzaram meu caminho.

Refleti sobre a complementaridade e a incompatibilidade de gênios, sobre os laços que formamos rapidamente e os que jamais vingam ou, se o fazem, dissolvem-se sob o solo infrutífero de sua efemeridade.

Pensei muito na importância de, não importa o que façamos, sermos autênticos e jamais nos moldarmos além de nossas capacidades, perdendo identidade para corresponder à pressão social, familiar, relacional ou profissional. É sim necessário lidar com todas essas áreas de nossas vidas, mas é igualmente preciso achar meios de lidarmos com todas elas sem nos perdermos de nosso objetivo primordial: nós mesmos.

Tudo isso me lembrou de uma cerimônia de formatura, onde a oradora leu um texto que muito me chamou a atenção e que vale à pena refletir a respeito.

Boa leitura!


Uma vez, os bichos, preocupados com a complexidade da vida atual, resolveram copiar os homens, organizando uma escola que melhor pudesse prepará-los para enfrentar os problemas da existência.

Acompanhando idéias educacionais em voga, optaram por um currículo teórico-prático, constando em essência, das seguintes disciplinas: Corrida, Escalada, Natação e Vôo.

A fim de facilitar a execução, atendendo simultaneamente a um maior número de alunos, ficou resolvido que quem se matriculasse na escola estudaria todas as matérias do curso.

O cisne, nadador exímio, mostrou-se, desde logo, melhor do que o professor. Conseguiu notas razoáveis em vôo, mas revelou-se aluno fraco em corrida. Coitado... quase sempre tinha que ficar depois do horário para treinar corrida. Por isso, teve até que reduzir as horas que dedicava à natação, atividade tão de seu agrado. Na verdade, o que conseguiu mesmo foi ficar com as patas esfoladas. Por causa disso, até seu humor se modificou e vivia emburrado. Talvez por esse motivo, quando chegou à época do exame final, estava tão cansado que, até em natação, obteve apenas uma nota regular. Contudo, como sistema de aprovação, na escola, era o da média aritmética das notas obtidas nas diferentes matérias, conseguiu passar "raspando". Aliás, nessa altura, era visível que os alunos não mais se preocupavam com o aproveitamento das matérias. O importante era garantir uma média final que desse para passar e ganhar o certificado.

O coelho, por exemplo, sempre ficava o melhor de todos na corrida que treinava diariamente: mas ficava atrapalhado e nervoso nas aulas de natação. Dava a impressão de que quanto mais se aplicava, menos aprendia. Vivia falando em pesadelos que tinha por causa do exame de natação.
O gato, de saída, superou todos os colegas do curso de escalada, mas acabou por indispor-se com o professor, porque preferia adotar processos próprios de subida, inventados por ele, e muito eficazes até, mas que nem sempre coincidiam com os ensinamentos recebidos. Acabou tachado de aluno-problema no curso de vôo, porque o professor insistia em que ele alcançasse o vôo do solo, enquanto o gato sustentava que só conseguia "voar" baixando o topo das árvores até o chão.

No fim do curso, um pato tranqüilo, diligente, amável, que nadava bem, voava sofrível e atravessava gingando o gramado, numa imitação de corrida alcançou a media mais elevada do grupo.

O diretor da escola convidou-o para ser o orador da turma, na cerimônia de formatura. Mas a festa foi triste... o grupo alegre dos primeiros dias não parecia o mesmo. Estava bem menor... muitos haviam desistido no meio do caminho: outros haviam sido reprovados. Quase todos estavam cansados e alguns revelavam grande desânimo e pessimismo quanto ao futuro.


Há sempre quem consiga se virar muito bem em todas as áreas da vida, mas jamais se esqueça daquilo que você faz melhor, pois assim você emana o seu brilho, sua Inspiração e vivencia a Awen que te guia pela sua existência, seja ela uma restrita a uma ou distribuída em várias áreas.

E lembre-se de que nem todo pato é bem-sucedido escutando "O Pato Pateta", divertidamente cantada pelo MPB 4, enquanto acompanha a letra pelo próprio link.

Texto citado pela psicóloga Riva Bauzer, no livro "A Arte e a Técnica de Prestar Melhores Exames". Com agradecimentos à educadora Patrícia Duarte, por tê-lo cedido.

2 Comentários:

Blogger Tami Fada disse...

Se todos pensassem as mesmas coisas, se gostassem das mesmas coisas, ha se todos no mundo fossem parecidos (iguais), a Vida seria tão sem graça, sem diversidade não haveria cores, gostos, idéias, vidas....
O gostoso no mundo, é isto, é vermos o melhor de cada um, a diferença de cada ser humano, as idéias surpreendentes de alguns, as tolices de outros... enfim...
=)

Gostei das mudanças do blog...
Fazia tempo que não passava por aqui.. Já estava sentindo falta de suas palavras Druida!

Beijo!

by Tamira**

16 outubro, 2006 18:46  
Anonymous Ninfa Lua e Mestre Luz disse...

As diferenças existem para que possamos EVOLUIR,imagina nós todos tendo os mesmos gostos,como íamos aprender? Discutir? Brigar para reconciliar? Fazer canções? Cantar canções? Escrever?
E TE LER? Como seria possível aprender com vc?
Parabéns por seu Blog.
NINFA LUA E MESTRE LUZ

17 outubro, 2006 12:09  

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