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Bardo da Ordem Druídica Vozes do Bosque Sagrado.

1 de dezembro de 2006

O Vôo da Gaivota

(Nos Céus do Grande Espírito)

Gaivota amiga, voe livre!
É hora de voltar para casa.
Suas asas estão curadas.
O Grande Espírito abriu o portal: voe!
Fique tranqüila e olhe para cima.
O seu corpo ficou lá embaixo, na areia da praia.
A Mãe Terra o agasalhará.
Mas você continuará voando...
Além do horizonte, muitas amigas a esperam.
É hora do reencontro. Voe!
Nos céus da Terra, muitas gaivotas sentirão saudade de você.
Mas, tudo tem seu tempo, e é hora de ir para outros céus...
Voe, amiga, mais alto do que nunca, para além do infinito...
Não se preocupe com nada, apenas voe!
Sim, apenas voe, voe, voe...

Wagner Borges


"Perder" alguém traz uma dor que nos parece rasgar a alma. Esta dor não é possível descrever a quem nunca a sentiu e facílima de reconhecer nos olhos de quem a experimentou.

Às vezes vemos a morte levar as almas de nossos queridos para distante, onde habitarão no Outro Mundo com os Deuses aguardando o tempo de novamente estarmos juntos. Esta perda é a mais visível a quem nos cerca, e dói na carne enquanto vislumbramos os corpos inertes de nossos amados descerem à Terra ou adentrarem piras crematórias. É então que o rito de passagem da cerimônia de despedida e a solidariedade de outros que também sofrem por nós ou pelos que se foram nos alenta, e seguimos adiante.

Mas a situação muda quando a "morte" é de um relacionamento, de uma amizade ou de uma parceria, e volta e meia vemos esse "cadáver" sorrindo, brincando do outro lado da rua ou mesmo passando à nossa frente num evento. Sabemos que sua "morte" não foi para o mundo, mas para nós. Neste momento sentimo-nos ocos de significado, isolados do resto da humanidade como se fôssemos um cão sarnento à espera da misericordiosa injeção letal para pôr fim a nosso sofrer.

Dor e saudade sufocam-nos com os destroços da grande torre de esperanças, sonhos e bons momentos, e minguamos na incompreensão do porquê as coisas teriam seguido este curso. O anseio de "ressuscitar" algo, que em geral já não mais volta, partilha conosco o escasso ar em nossos pulmões... e morremos um pouco a cada dia.

Neste momento, a gaivota que se foi não mais faz parte desta página de nossas vidas, e precisamos decidir se continuamos a escrever a história de nós ou deixamos a tinta de nossas penas secar e não mais ser capaz de transmitir nossas experiências ao papel em branco de nosso futuro.

Mente vazia e coração pesado, nossos horizontes escurecem à medida em que fechamos os olhos para a vida e entregamos nossos corações às sombras de nossa alma. Então é hora de escolher se morremos também ou se abrimos os olhos e voamos rumo a novos horizontes.

Meu conselho? Abra suas asas e voe, gaivota! Existem muitos peixes no mar e muitos horizontes esperando pelo vislumbre dos seus olhos!


Voe nas asas de "Black Bird", interpretada por Sarah Mclachlan. Acompanhe a letra pelo próprio link e a tradução clicando aqui.

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4 Comentários:

Anonymous Nil Tojal disse...

Sempre muito inspirado e muito amigo

01 dezembro, 2006 19:50  
Blogger Tami Fada disse...

Lindo este texto...
Num momento destes, a gaivota precisa viver estes momentos na sombra da tua alma, organizar os acontecimentos passados, os sentimentos que poderão atrapalhar em sua continuidade na vida (se assim optar), guardar as lembranças boas numa caixinha dentro dela mesma, e aí sim, estar preparada para abrir suas asinhas e voar novamente, podendo enxergar as novidades que seus horizontes trazerão...
Tudo questão de calma, tempo, e compreensão de certa forma, compreender as mortes inevitáveis da Vida.


Obs.: Estou vendo!! Uma folhinha verde linda, por aquii... é nova?!!
Haa.. adorei! Você sabe melhor do que ninguém, o quanto gosto de folhinhas.. =))) ...
Ficou mais lindo ainda, teu blog!

Beijos!

01 dezembro, 2006 23:22  
Anonymous Tir Na Duan disse...

Puxa... não tô vendo as folhinhas... raios de computador esquisofrênico...

Quão certo o texto... cadávares ambulantes. Não havia pensado dessa forma. Quão certo o sentimento.

Uma revoada de gaivotas, é o que temos.

Grande beijo! Saudades muitas. Senti falta de vocês aqui em casa...

03 dezembro, 2006 10:38  
Anonymous Eliana Braga disse...

Caríssimo Wagner
Belíssimo poetar!
Parabéns e todo meu carinho,
Gaivot@

06 dezembro, 2006 11:57  

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