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Bardo da Ordem Druídica Vozes do Bosque Sagrado.

10 de abril de 2007

O Seu Jeito



Anos de devastação em nome da crença de que somos senhores da Natureza, e não parte dela.

Cegos pela ganância, nós destruímos tudo no caminho rumo à riqueza e ao dito "progresso", mesmo que tantos sempre nos tenham dito que é possível e ensinado como progredir sem maltratar o planeta. Aliás, avisos ou fórmulas prontos e mastigados para quem queira coexistir com a natureza nunca nos faltaram, mas parecia mais "fácil" "divertido" desta forma. Dá trabalho demais pensar em ecologia.

E quem pensou no planeta? Afinal, o que é uma ou outra gimba de cigarro, umas poucas árvores para fazer aquela estante chique em madeira maciça para sua sala ou mesmo uma fogueira aonde aquecer conversas e paqueras à beira daquele santuário natural que você e seus amigos acabaram de descobrir? Dane-se quem se incomode, pois somos a primazia da mãe natureza e o mundo está aí para nosso uso fruto mesmo, não é? Não é assim que nos ensinaram a vida inteira?

Reciclemos as latas e ergamos as mãos aos Deuses como se isso fosse uma grande coisa! Abracemos a esmola ecológica que, ao invés de encarar o pedinte no semáforo e fomentar a prática de que é melhor pedir dinheiro que importar-se em melhorar a própria qualidade de vida, serve para amparar a luta pelo ecossistema que continuamos a degradar.

Assim achamos que equilibramos nossa "dívida" com a natureza, mas quando somos confrontados com a situação drástica na qual nos encontramos respondemos algo como "Não pode cigarro? Então fumemos maconha! Afinal, ela não faz tão mal à saúde". Muito fácil mesmo, dar ao seu vício um aspecto ecológico, e podemos até esquecer dos jovens marginalizados, dos seqüestros relâmpagos e da escalada de violência nas médias e grandes cidades – agora chegando cada vez mais perto das antes seguras cidadezinhas de interior – que tudo isso ainda estará lá quando a arma estiver na nossa face. Não é o que você fuma, é o que a humanidade inteira fuma, abusa, corrompe, degenera, destrói e mata. Apontar o dedo para o passado ou para outras pessoas buscando de quem é a responsabilidade não resolve o problema, no máximo nos faz compreender como ele surgiu e ajuda a ter idéias de como solucioná-lo. É preciso mais. Muito mais.

Lembre-se do tal "paraíso natural" de antigamente, pois hoje ele não é sequer a sombra do que um dia foi. As latinhas de cerveja e "gimbinhas" de cigarro mataram as plantas, "espantaram" os peixes – jeito menos mórbido de dizer que morreram ou migraram por não ter como se sustentar ali – , secaram o rio, tornaram o cheiro de mato molhado num odor misto de lixo e excremento humano, e nada cresce lá.

O que o mundo precisa não é do seu olhar de espanto para as imagens das catástrofes de hoje. O meio-ambiente precisa que você faça algo mas, no fim, você pode continuar fazendo tudo ao seu jeito, pois a verdade é que já não sabemos se o planeta conseguirá resistir a tanta depredação, e baseado na cruel verdade de que a educação e o respeito por você demonstrados nos seus áureos dias passará para os seus descendentes eu imagino seus filhos e netos olhando na sua cara, já perto do ocaso dos seus dias e logo depois de assistirem a um documentário sobre aqueles paraísos naturais de outrora, enquanto perguntam num transtornado uníssono:

Por que você não fez nada para impedir isso, seu idiota?


Descubra seu idiota interior ao som de "My Way", cantada por Frank Sinatra. Acompanhe a letra e a tradução pelo próprio link, e se não conseguiu assistir o clipe acima, basta clicar aqui para conferir a peça publicitária.

Com agradecimentos a Cecília Lóes pela dica da propaganda.
Dedicado a todos os idiotas que acham que tudo isso não passa de balela e aos descendentes que olharão em seus olhos um dia.

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1 Comentários:

Blogger Tami Fada disse...

é..
como todos os outros que leram tal texto... melhor me silenciar.

13 abril, 2007 20:23  

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