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Bardo da Ordem Druídica Vozes do Bosque Sagrado.

8 de junho de 2007

Afinidade

A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil,
delicado e penetrante dos sentimentos.
É o mais independente.

Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos,
as distâncias, as impossibilidades.
Quando há afinidade,
qualquer reencontro retoma a relação,
o diálogo, a conversa,
o afeto no exato ponto em que foi interrompido.

Afinidade é não haver tempo mediando a vida.
É uma vitória do adivinhado sobre o real.
Do subjetivo para o objetivo.
Do permanente sobre o passageiro.
Do básico sobre o superficial.

Ter afinidade é muito raro.
Mas quando existe
não precisa de códigos verbais para se manifestar.
Existia antes do conhecimento,
irradia durante e permanece
depois que as pessoas deixaram de estar juntas.
O que você tem dificuldade de expressar a um não afim,
sai simples e claro diante de alguém com quem você tem afinidade.

Afinidade é ficar longe pensando parecido
a respeito dos mesmos fatos que impressionam,
comovem ou mobilizam.
É ficar conversando sem trocar palavras.
É receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento.

Afinidade é sentir com, nem sentir contra,
nem sentir para, nem sentir por, nem sentir pelo.
Quanta gente ama loucamente,
mas sente contra o ser amado.
Quantos amam e sentem para o ser amado,
não para eles próprios.

Sentir com é não ter necessidade de explicar
o que está sentindo.
É olhar e perceber.
É mais calar do que falar, ou, quando é falar,
jamais explicar: apenas afirmar.

Afinidade é jamais sentir por.
Quem sente por, confunde afinidade com masoquismo.
Mas quem sente com, avalia sem se contaminar.
Compreende sem ocupar o lugar do outro.
Aceita para poder questionar.
Quem não tem afinidade, questiona por não aceitar.

Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças.
É conversar no silêncio, tanto nas possibilidades exercidas
quanto das impossibilidade vividas.

Afinidade é retomar a relação no ponto em que parou
sem lamentar o tempo de separação.
Porque tempo e separação nunca existiram.
Foram apenas oportunidades dadas (tiradas) pela vida,
para que a maturação comum pudesse se dar.
E para que cada pessoa pudesse e possa ser,
cada vez mais a expressão do outro
sob a forma ampliada do eu individual aprimorado.


Artur da Távola


Afinado com esta definição, silencio ante ao texto.


Tenha um excelente fim-de-semana ao lado de alguém com quem se afine, escutando "Like a Star", entoada qual sussurros por Corinne Bailey Rae. Acompanhe a letra e a tradução desta canção, e delicie-se ainda com o vídeo clipe.

Para minha musa e maior afinidade, Cecília. Com agradecimentos a Ícaro Alves pelo texto.

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4 Comentários:

Blogger Melian Stern disse...

Também calo-me e simplesmente me permito sentir a ausência da afinidade dito no texto que um dia foi intensa e hoje está reduzida ao mínimo, mas que ainda existe!!

08 junho, 2007 20:05  
Blogger Su disse...

e eu, suspiro!

08 junho, 2007 21:49  
Anonymous Edson Marques disse...

.

Sentir com: é isto!



.

10 junho, 2007 12:35  
Blogger Tami Fada disse...

Ha... quantas saudades...
E que lindo texto!

Gostei...

"sentir com"
é isto mesmo!
=)

Beijos beijos...

11 junho, 2007 22:25  

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